Pesca que protege tubarões e humanos

Projeto de monitoramento em Pernambuco evita ataques desses animais e preserva as espécies que habitam o litoral com o uso de tecnologias avançadas de captura e marcação.
Por: Sofia Moutinho
Publicado em 09/02/2010 | Atualizado em 09/02/2010
Pesca que protege tubarões e humanos
De maio de 2004 a setembro de 2009, pesquisadores do Protuba capturaram e monitoraram 23 tubarões-tigre no litoral de Recife (foto: Albert Kok).
Eles não são assassinos como pintam os filmes de Hollywood. Tampouco a carne humana faz parte de seus hábitos alimentares. No entanto, ataques de tubarões a pessoas acontecem no mundo todo, inclusive no Brasil. Para mudar esse quadro, o Projeto de Pesquisa e Monitoramento de Tubarões no Estado de Pernambuco (Protuba) captura e marca esses animais por meio de técnicas avançadas que permitem acompanhar o deslocamento dos tubarões e evitar sua aproximação das praias.
Pernambuco é o campeão brasileiro de ataques de tubarões: 53 casos já foram confirmados desde 1992
Cerca de 120 ataques de tubarões são registrados todo ano no mundo. No Brasil, o Nordeste é a região com maior número de casos. Pernambuco é o campeão brasileiro desse tipo de ocorrência: 53 ataques já foram confirmados desde 1992.
O monitoramento dos tubarões é feito pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) durante o fim de semana, período em que há maior concentração de banhistas nas praias. Um barco da universidade lança o chamado espinhel a cerca de um quilômetro e meio das praias de Boa Viagem e Paiva, em Recife. O equipamento é uma corda de 8 quilômetros de comprimento repleta de linhas secundárias com anzóis em sua extremidade e colocada à meia água para capturar os tubarões que saem do alto-mar em direção à costa.
Além do espinhel, são lançadas próximas à praia linhas de espera, que têm menos anzóis e agem como uma segunda proteção, caso algum tubarão consiga furar o bloqueio do espinhel. Durante o tempo em que permanece no mar, o barco recolhe os animais fisgados e repõe as iscas nos anzóis.
Os tubarões capturados recebem duas marcações, que permitem aos pesquisadores monitorá-los. Uma é um transmissor via satélite chamado PSAT (Pop-up Satellite Archival Tags), que se desprende do animal automaticamente após 45 dias e sobe à superfície para enviar dados como temperatura da água e localização do tubarão para os pesquisadores.
A outra é um transmissor de ondas sonoras que funciona em conjunto com uma rede de receptores acústicos implantada na faixa costeira de Recife. Cada tubarão recebe uma marca que emite uma frequência sonora única. Se o animal se aproxima da costa, os pesquisadores recebem o sinal e podem identificá-lo e monitorá-lo.

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